pobre pig

billi pig (brasil, 2012) ★☆☆☆☆

na primeira cena de billi pig, vemos a personagem de grazi massafera segurar um oscar enquanto participa de um ritual de macumba com um pai-de-santo branco vestido de índio. a cena é nonsense, caricata, teatral, porém sem um pingo de graça. esse é também o espírito do longa, que costura tramas absurdas e personagens rasas da mesma forma que um cego esquizofrênico resolve um cubo mágico.

o filme conta a história de marinalva, moça caipira que sonha em ser estrela e viver de luxo e glamour. seu casamento, contudo, frustra-lhe os planos já que seu marido, wanderley, não a satisfaz de forma alguma – sexual, financeira ou amorosa. a esta altura, o porco rosa de brinquedo da protagonista começa a falar e dar-lhe conselhos para que ela ponha um fim em seu matrimônio. wanderley, para não perder a mulher, arma um golpe milionário com a ajuda de um padre curandeiro.

festival de cacoetes, o filme se arrasta sem empolgar. apresenta histórias novas a todo tempo para, no momento seguinte, abandoná-las sem motivo ou remorso. dessa forma, o porco rosa do título simplesmente some na segunda metade da película. outras tramas, como o caso amoroso do padre ou a crise da funerária, terminam sem desfecho claro. e o que falar então das três exigências do ritual milagroso? surgem do nada e, com o mesmo mistério, tornam-se apenas duas. isso pra não falar dos efeitos especiais que fariam até hans donner chorar sangue (destaque para o pato do incrível hulk).

é curioso notar que billi pig chega a pincelar um certo questionamento religioso em alguns momentos. um exemplo claro é a montagem que intercala as falas de wanderley tentando enganar seus clientes com as do padre atendendo os vizinhos. os fiéis são também sempre retratados de forma ingênua e apática, marionetes de carne e osso. até mesmo a voz do porco, que verbaliza tudo o que sua dona não consegue/quer ver, pode nos fazer pensar se aquilo que cremos é de fato algo maior e real ou simplesmente nossas próprias opiniões refletidas em forma de dogmas. todo o discurso racional, porém, entra pelo ralo quando o deus todo poderoso da trama (mais um personagem superficial do filme) recompensa os picaretas e assassinos – além, claro, da dedicatória no final dos créditos.

numa análise fria, o ponto alto de billi pig é mesmo quando ele acaba. não apenas por colocar um fim à angústia de ter de acompanhar a trama rastejando, mas principalmente por mostrar os (já batidos) erros de gravação. milton gonçalves imitando um malandro americano é o que salva o preço pago pelo ingresso. no mais, é constrangedor ver atores tão bons em momentos tão pouco inspirados. chega a ser uma heresia que a participação de cássia kiss seja ofuscada por um blush tão vermelho e forte que parece que deram chineladas na cara dela.

com um certo perfume de chanchada, incluindo-se aí um número musical e um constante ar de improviso, billi pig nada muito pra morrer na praia. o porco virou torresmo.

  1. Erica M.

    Ainda não assisti billi pig, mas senti que é uma versão piorada do “The Beaver” (2011, com Mel Gibson e Jodie Foster).

    Gostei da crítica, porém, preciso assistir ao filme para maiores comentários. (Se bem que, depois dessa, acho que não quero perder meu tempo. – mesmo para conferir Milton Gonçalves no malandro americano)

  2. jacquesdelrio

    erica, a intenção com a crítica, por incrível que pareça, não era dizer o que você devia ou não assistir, mas apenas dar a minha opinião com as devidas justificativas. obrigado pela visita! abração pra ti.

  3. Leonardo Vasconcelos

    também tive o desprazer de assistir billi pig. assim como algumas outras comédias brasileiras, este filme prometeu muito nos trailers, mas ao assistir, dá vontade de sair nos minutos iniciais do filme. as poucas piadas que funcionam, estão relacionadas às cenas na funerária da preta gil (como atriz é ótima cantora e como cantora é ótima filha de ex-ministro) e aos momentos em tela da grazi. a atriz estava muito bem como garota do interior burra e gostosa, sem vergonha de seus solilóquios com o porco (cuja a dublagem é super incomodante). sobre o selton mello… ele continua sendo o mesmo selton mello de todos os outros filmes que atuou; que por sinal são muitos. dá até pra brincar dizendo que ele faz mais filmes que o nicolas cage por ano. enfim, belmonte é um bom diretor, mas está sempre fazendo escolhas duvidosas para os seus filmes. em, ‘se nada mais der certo’, ele chamou o canastrão cauã reymond, em billi pig trouxe a grazi massafera, a grande “revelação” do big brother brasil.
    jacques, gostei bastante da sua crítica, parabéns!

    • jacquesdelrio

      eu diria que a canastrice que você atribui ao selton mello cabe também à grazi, leonardo. não vi nenhuma diferença com relação a outros papeis da moça. obrigado mais uma vez pela visita! =*

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