a madonna da época

w.e. – o romance do século (inglaterra, 2011) ★★★☆☆

depois do esquisito ‘filth and wisdom’, madonna volta à direção com um filme diametralmente oposto em relação à ousadia. o roteiro, da própria madonna com alek keshishian (‘na cama com madonna’), alterna um romance da década de 30 com uma história dos anos 90. wally winthrop vive um casamento conturbado e, sem muito o que fazer, passa o tempo a sonhar com um conto de fadas da realeza – a história do duque de windsor, que renunciou ao trono inglês para casar com sua amada wallis simpson, americana e divorciada. em w.e. – o romance do século, as tramas são contadas em paralelo e por vezes se encontram em devaneios de uma das personagens.

pobre menina rica, wally torna-se obcecada pela vontade de ter um filho, plano que seu marido não compartilha. ausente e alcoólatra, ele é visto pelo seu círculo de amigos (e também da esposa) como o homem perfeito, gentil, inteligente e bonito. as brigas constantes, contudo, fazem com que wally procure refúgio numa fantasia, dedicando seus dias a estudar o caso de amor que pra ela seria o ideal.

em contrapartida, e apesar da confusa montagem no começo do filme, wallis já aparece como uma mulher forte. em seu segundo casamento, ela conhece o príncipe edward e, a partir de sua amizade com a realeza, surge um romance proibido. dona de uma personalidade forte e de muitas frases de efeito, wallis consegue ser divertida e atraente mesmo sem grandes atributos físicos (naquele tempo, mulheres carnudas ditavam o corpo em voga). grande parte do carisma da personagem deve-se, claro, à impecável atuação de andrea riseborough.

w.e. – o romance do século é extremamente fiel em sua direção de arte e figurino ao retratar não apenas a passagem dos anos e as mudanças sociais que permeiam a vida do casal de windsor, mas também mínimos detalhes da década de noventa – que acabam se tornando pistas para que o espectador possa se situar no tempo, já que a fotografia, fria, granulada e acromática, não diferencia uma época da outra. quanto mais wally aprofunda-se no mundo de wallis, menos conseguimos separar as duas vidas esteticamente.

sem equilibrar as duas tramas principais de forma convincente, o longa nos apresenta uma personagem fascinante cuja história já é conhecida, e portanto não nos surpreende, e outra protagonista completamente sem graça, que mesmo diante de todas as chances, agarra-se ao clichê insosso e se torna entediante e previsível. o resultado é um filme que não empolga, já que não há para quem – ou o quê – torcer.

a trilha sonora, que também tem o dedo de madonna, merece destaque, com especial atenção ao discurso final do rei edward – de arrepiar. mesmo sem acertar o alvo em cheio, a diretora mostra que está no caminho certo e tem boas referências – um exemplo interessante é a sofia-coppolização na cena em que personagens da década de 30 dançam punk antes que ele fosse inventado. ainda assim, como wallis simpson que morreu sem poder mudar sua reputação de ser aquela que destronou o rei da inglaterra, madonna carregará pra sempre a cruz de ser madonna.

  1. Leonardo Vasconcelos

    w.e – o romance do século é inicialmente confuso e, com o decorrer do filme, começa a dar uma sensação de cansaço para quem o assiste devido ao seu rítmo arrastado. mas, esse não é o único defeito do longa! pelo contrário, o roteiro está cheio de lacunas inadmissíveis e suas reproduções de cenas são exageradas e um tanto copiadas de filmes clássicos.
    o elenco é até agradável, tirando a abbie cornish que não demonstra sentimentalismo em nenhuma cena que a personagem atua.
    como você disse, a trilha sonora está realmente boa, mas às vezes peca no exagero.
    resumindo, madonna acaba fazendo um trabalho irregular e com bastante influência da trilha na história.

    • jacquesdelrio

      obrigado por compartilhar sua opinião, leonardo! acho que esse filme é mesmo irregular, mas, mesmo assim, um pouquinho melhor que muitos filmes em que a diretora tenta “atuar” heheh. ainda bem que ela controlou o ego e não quis aparecer ou cantar na trilha. abraços! 🙂

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