eles estão descontrolados

projeto x – uma festa fora de controle (eua, 2012) ★★★☆☆

em 1998, um filme alemão levantou algumas discussões ao apresentar um ‘novo’ retrato da juventude no final do milênio. ‘corra lola, corra’, de tom tykwer, propunha jovens sem nobres ideais, mas determinados a alcançar a própria redenção através do hedonismo. mimados, inconsequentes, egocêntricos. não foi o primeiro a falar do assunto com esse enfoque – nem o último, como mostra projeto x – uma festa fora de controle.

o novo longa, estreia na direção de nima nourizadeh, conta a história de três amigos que pretendem se tornar populares por dar uma festa inesquecível aos colegas do colegial. e é isso mesmo, só isso.  se ‘corra lola’ mantinha sua linearidade atrelada aos jogos de video-game, projeto x apresenta um esqueleto de filme-reality, com câmera (pseudo) subjetiva e gravações (claro, pseudo) feitas de celular. trata-se de uma feliz escolha, já que, de fato, vídeos amadores são a forma mais fácil de se conseguir fama hoje em dia. além disso, o elenco sem grandes nomes ajuda nessa estratégia – e é por causa dela que grande parte das piadas acontece.

sem parecer pretensioso, focando sempre na comédia quase pueril, projeto x diverte mesmo quando é clichê. há todos os estereótipos, da garota mais bonita do colégio ao galã jogador de futebol americano. às vezes lembra um mashup de ‘american pie’ com ‘se beber não case’, mas consegue ser menos grosseiro que os dois juntos.

assim, somos apresentados a jovens com um poder imenso em mãos – não apenas restrito à própria casa e a seus pais, mas ao destino de todos em volta. se no título alemão lola precisava apenas esbarrar em alguém para mudar-lhe o destino, no filme americano nem isso torna-se necessário: basta um sms. em ambos, contudo, podemos perceber também a figura de autoridade dos pais dissolvida diante dos desejos de seus rebentos. melhor dizendo, qualquer figura de autoridade aparece ridicularizada neste último.

projeto x é como aquele tweet de alguém que troca as letras pra se mostrar bêbado: bobo, descartável, infantil, porém engraçado. em ‘corra lola, corra’ justificávamos as atitudes egoístas com o argumento do “tudo pelo amor”. aqui, não há desculpa. não há amor além do amor próprio. mas quem vai dizer que eles estão errados?

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