heresia mitológica

fúria de titãs 2 (eua, 2012) ★★☆☆☆

jesus cristo nasceu de uma relação que deus, na forma de homem, teve com maria para se vingar de josé. preso num caixão, jesus é jogado ao mar, mas sobrevive e é criado por mortais sem saber de seu passado. crescido, encara a tarefa de salvar a humanidade, mas recusa-se a aceitar deus como seu verdadeiro pai.

não é a versão de nelson rodrigues pra bíblia, é uma adaptação da história cristã caso seus deuses fossem gregos. se, para a maioria das religiões ocidentais, deus é onipotente e sem defeito, e o homem é uma sombra de sua imagem, na grécia o caminho foi inverso: dotados de sentimentos (e muitos defeitos) humanos, os deuses gregos tinham uma vida mais dramática que novela mexicana.

o que fúria de titãs 2 faz é dissolver toda essa trama interessantíssima numa papa insossa hollywoodiana. perseu, depois de derrotar o kraken no primeiro filme, decide abandonar a carnificina e criar seu filho, vivendo como pacato pescador. mas isso só dura até que zeus, que aqui encarna a figura do “velho sábio”, pede ajuda ao filho para que lute contra hades, que quer derrotar todos os outros deuses com a ajuda de cronos. como percebemos no decorrer da história, nada é muito definitivo entre as decisões divinas (ou do diretor?). dessa forma, vemos inimigos se aliarem, aliados romperem e a verossimilhança ir pro espaço.

construção de personagens realmente não é o forte de fúria de titãs 2. perseu luta para manter seus princípios, mas abre mão deles de forma tola e sem sentido. a rainha andrômeda aparece mais como adorno que como pessoa. agenor, que no longa aparece como semideus, é a versão mitológica do chris rock. sem contar nos personagens secundários que aparecem apenas para ajudar os herois e são descartados em seguida. e o como explicar a cena em que cronos promove uma série de desastres naturais na grécia e, no quadro seguinte, constatamos todo o exército intacto?

mesmo com os deuses mais polêmicos disponíveis, o filme mantem o clima de sessão da tarde de ritmo irregular, com uma piada ou outra entre as cenas de ação. uma pena. nosso céu não é tão animado quanto o monte olimpo.

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