frida kahlo e os sete anões

espelho espelho meu (eua, 2012) ★★☆☆☆

o indiano tarsem singh é um diretor visual. vem da cabeça dele alguns dos maiores deslumbres imagéticos do cinema nos últimos anos, como o universo psicológico em ‘a cela’ e a grécia surrealista de ‘os imortais’. era uma questão de tempo, portanto, que singh desse vida a um conto de fadas – neste caso, a clássica história da branca de neve.

na nova versão, a rainha má é uma viúva falida que usa magia negra para manter o controle absoluto sobre tudo. branca de neve, uma espécie de rapunzel sem tranças, vive presa em seu quarto sem direito a frequentar nem mesmo a ‘sala de estar’ do castelo. depois de descobrir como o povo vive em condições miseráveis, a donzela tenta destronar a rainha com a ajuda do príncipe.

a verdade é que julia roberts e seu sorriso polarizam todas as atenções do filme. no papel de rainha má, ela se mostra não apenas mais bonita que a mocinha, mas também muito mais interessante. a personagem de roberts não é apenas má, como ainda um pouco maluca e engraçada. um trabalho impressionante da atriz, que só derrapa ao interpretar o alter ego da rainha, seu espelho mágico – uma referência ao retrato de dorian gray?

já branca de neve, vivida por lily collins, é tão expressiva quanto uma folha em branco. como se isso não bastasse, a heroína sem defeitos ainda deixa a personagem distante e… bem, chata. o príncipe, papel de armie hammer, que surge sem razão clara, exagera no tom e beira o pastelão. uma boa surpresa é a participação de nathan lane na pele do criado brighton, cuja química parece funcionar perfeitamente nas cenas com julia roberts.

como era de se esperar num filme do tarsem singh, os cenários são suntuosos, o figurino é extravagante e os efeitos, um espetáculo à parte – e por mais que soem exagerados, como na cena em que estrelinhas aparecem na cabeça do príncipe que levou uma pancada, conseguem se unir de forma orgânica à trama. a fotografia surge super saturada, o que dá o clima de conto de fada ao longa. há firulas imaginárias deliciosas, como as pernas de pau dos anões.

o diretor repete a fórmula de seus títulos anteriores e oferece ao público um banquete aos olhos, porém sem muita sustância ou conteúdo. se continuar no mesmo caminho, em breve lançará filmes para serem vistos no mute.

p.s. durante os créditos finais, singh mostra um pouco de suas origens ao trazer um número musical à la bollywood com o elenco do filme.

  1. Mateus Pestana

    Tive a oportunidade de assistir o filme e fiquei com a impressão q a protagonista do filme é a rainha, fugindo um pouco do conto de fadas, e que os 7 anões roubam a cena ao contracenar com a mocinha, muito linda por sinal, o desfeicho é a classica cena da maça porém com lição de moral num tom de vingança da branca de neve e o musical no fim do filme é exaustivo ocasionando até B-Boys na sala q eu estava, de tanto “I believe” os rapazes começaram a daçar para sair do tédio.

  2. Pingback: duro de roer | helloimjackson

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