pela união de seus poderes

os vingadores – the avengers (eua, 2012) ★★☆☆☆

o trabalho do diretor joss whedon não era muito difícil: juntar vários personagens que já foram mostrados em títulos anteriores (portanto dispensavam apresentações) diante de situações de ação ininterrupta. sob este ponto de vista, os vingadores é um filme muito bom. com exceção de uma ou outra cena longa demais, a história consegue manter a tensão e o ritmo por todo o tempo – porém infelizmente não vai muito longe disso.

ao invés de aproveitar a “profundidade” de seus personagens (mesmo quem não viu os filmes de cada vingador tem uma vaga ideia de suas personalidades) para apresentar confrontos mais elaborados, o roteiro, que também tem a mão de joss whedon, preferiu destacar apenas um aspecto de cada heroi, como se dividisse a psique de uma super-mente entre vários indivíduos. características que todos possuímos juntas foram desfiadas e distribuídas: hulk, claro, se apresenta como a ira (ou a contenção dela); o capitão américa encarna a inocência, enquanto tony stark, o homem de ferro, ficou com o ceticismo; a viúva negra é só sedução; o gavião arqueiro representa a lealdade, e thor, na falta de um termo melhor, é o despirocômetro.

dessa forma, temos uma inversão da dinâmica natural da história: os heróis não se unem para salvar o mundo, mas para salvar o filme. um apanhado de clichês costurados em cenas de ação é que tenta justificar (e forçar) a reunião dos personagens. um exemplo de preguiça dos roteiristas está em determinado momento da primeira metade, quando depois de prender o vilão, os vingadores desconfiam da facilidade com que o malvado se entregou e concluem que ele quer separar o grupo jogando um contra o outro (oh, que original). o que eles fazem a seguir? começam a discutir entre si.

contudo, nada demonstra melhor a fraqueza da história que a agente hill, que não tem nenhuma função na trama a não ser fazer perguntas bobas a nick fury para que ele possa “explicar” o que acontece no filme. prova de como os realizadores subestimam o público de os vingadores.

mesmo com incríveis sequências de ação, o longa não apresenta nada de novo – e, sim, isso é gravíssimo. trata-se, pra dizer o mínimo, de um gigantesco caso de desperdício 1) de material, já que alguns dos maiores herois dos quadrinhos, e do cinema, estão na história; 2) de elenco, pois o filme traz grandes nomes não apenas entre os protagonistas (gwyneth paltrow se mostra por apenas cinco minutos e paul bettany sequer aparece – faz uma ponta apenas com a voz) e 3) de fãs, visto que poucos espectadores são tão fiéis quanto leitores de quadrinhos, sem contar aqueles que apenas conheciam os personagens de seus outros filmes. os vingadores é, enfim, um daqueles casos em que o produto final fica aquém de suas matérias-primas.

  1. Dcdsadsa

    Malvado, você deve ser daqueles tipinhos que veêm um filme qualquer no cinema, diz em seguida “Melhor filme do mundo” e 1 semana depois faz a mesma coisa. Até os filmes mais falados do ano tem lá seus defeitos, nada é “ótimo”

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