o velho mundo

o exótico hotel marigold (reino unido, 2011) ★★★☆☆

o mundo está envelhecendo. estatísticas da onu apontam que a população com mais de 60 anos deve triplicar nas próximas quatro décadas. paradoxalmente, ou quem sabe exatamente por causa disso, a tônica jovem nunca foi tão dominante em nossa cultura. cada vez mais, vemos padronizados pela indústria gostos, aparências, modas, consumos, atitudes e ideias jovens. alcançar a juventude tornou-se o objetivo geral – e o cinema é um dos principais responsáveis, já que vem construindo, desde a década de 1950, com marlon brando e james dean, o que hoje é considerado juventude.

nadando contra a corrente, o exótico hotel marigold traz as histórias de sete personagens idosos que sofrem as consequências do tempo e de uma sociedade que os trata como “peso morto” (nas palavras de um dos personagens do filme). por motivos diferentes, todos eles acabam viajando à índia para uma estada no hotel do título, que revela-se de cara muito diferente e inferior ao que fora prometido nas brochuras. a partir daí, precisam aprender a viver – e conviver – num país de costumes completamente estranhos.

como toda coletânea, o resultado acaba parecendo irregular. alguns personagens são bem construídos e tem presença recorrente na tela, enquanto outros mais parecem caricaturas, além de simplesmente sumirem por muitos minutos da projeção. a narração de judi dench, sob o pretexto de atualizar o blog de sua personagem evelyn, é um recurso eficiente para sanar muitos furos, porém também preguiçoso e pobre.

além do de dench, a protagonista, os personagens de tom wilkinson e maggie smith são os que mais se destacam no longa – além de contarem suas próprias histórias, vivem dramas intensos no país “exótico”. aos outros atores, sobram os clichês para preencher o tempo livre do filme – não que isso chegue a atrapalhar a obra, mas revela apenas descaso em criar melhores arcos dramáticos.

apesar de pintar uma índia, com o perdão do trocadilho, “pra inglês ver”, o diretor tenta fazer um contraponto com a arrogante muriel, papel de maggie smith. racista e insensível, ela representa a suposta superioridade inglesa perante o diferente. é dela, inclusive, algumas das melhores tiradas da película. ao ser indagada, por exemplo, se queria uma comida típica indiana, muriel recusa de imediato com a seguinte pérola: “se não consigo pronunciar o nome do prato, não quero comer”.

mais que um filme sobre a terceira idade, o exótico hotel marigold parece um filme para a terceira idade. basta observar a confusão do centro comercial indiano, que, apesar de descrito por evelyn como “agressivo aos sentidos”, não deixa nenhum ruído se sobrepor às vozes dos personagens – é barulho, mas é baixinho, ninguém se incomoda. além disso, o romance dos jovens na película é mostrado de forma menos importante, e de uma bobagem tamanha que poderia ser resumido em duas cenas. por último, a desnecessária “moral da história” no fim do filme parece apontar mais para uma resignação de livro de auto-ajuda, já que não ajuda em nada no fechamento das tramas – mas nem por isso deixa de ser uma delícia para fechar um fim de tarde.

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