branca de medo

branca de neve e o caçador (eua, 2012) ★★★☆☆

pouco depois da versão delirante de tarsem singh, chega aos cinemas uma visão mais sombria da clássica história da branca de neve. no novo filme, a rainha ravenna, madrasta da pálida heroína, precisa do coração da moça para perpetuar sua beleza e, com isso, conquistar mais territórios matando seus reis depois de seduzi-los. quando branca de neve foge para a floresta sombria, a vilã envia um caçador para resgatá-la.

estreia na direção do publicitário rupert sanders, o longa parece uma representação bipolar de referências cinematográficas. ora dispensáveis, ora divertidos, todos os clichês do gênero passeiam pela tela para recriar uma das histórias mais contadas no mundo.

eficiente ao criar ambientes, o filme consegue diferenciar com precisão as atmosferas de cada lugar. o destaque fica para a deslumbrante floresta sombria, que libera uma espécie de poeira alucinógena – e a deixa ainda mais assustadora. os reinos de ravenna e do duque hammond também possuem características próprias, assim como o povoado de mulheres à beira do rio. até mesmo o vale das fadas, que de tão óbvio lembra a novela bambuluá da angélica, guarda peculiaridades surpreendentes, como cogumelos de olhos e um grande cervo branco.

outro ponto alto é a madrasta malvada de charlize theron. assim como no filme de tarsem, branca de neve e o caçador tem uma vilã que rouba – e com muita fome – todas as cenas. além do ótimo desempenho da atriz, a personagem ravenna é não apenas a mais, como também a única desenvolvida apropriadamente durante a projeção. além dos atos malvados da feiticeira, acompanhamos sua relação de cumplicidade com o irmão e sua infância humilde. não chega a ser estranho torcer por ela, e não pela mocinha.

os anões da história, todos grandes atores, em mais de um sentido, encolhidos digitalmente, também são uma grata surpresa do longa. é pena que apareçam tão pouco e sejam usados mais como alívio cômico para remediar um conto de fadas que começa então a lembrar um conto da cripta. kristen stewart como a grande heroína está mais para a songa-monga bella de crepúsculo do que para a forte joan jett de the runaways. já o caçador de chris hemsworth, bem, é basicamente o thor.

o roteiro é cheio de saídas fáceis justificadas como a magia da história. se na metade do filme branca de neve é saudada como “a predestinada”, é apenas para que a partir de então tudo dê certo simplesmente por essa razão. mesmo a melhor personagem da película, ravenna, é repleta de contradições: inicialmente de motivação feminista, a vilã praticamente só mata mulheres e tem um homem, seu irmão, como protegido. mais adiante, o roteiro decide abandonar essa premissa e coloca a culpa da maldade de ravenna em sua mãe e sua origem pobre.

subvertendo clichês, como o da maçã, de forma satisfatória, mas caindo em soluções preguiçosas em seguida, branca de neve e o caçador funciona apenas como entretenimento. contudo, ainda que seja baseado num conto de fadas, nem toda a abstração do mundo é suficiente para convencer em algum momento que kristen stewart é mais bonita que charlize theron.

  1. Gabriel Ruviaro

    Quero muito assistir esse filme =qq , tem gente que diz que não vai assistir pq a Kristen tá no elenco cresçam –”

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