é fria

a era do gelo 4 (eua, 2012) ★★☆☆☆

três passos da indústria para fazer cada vez mais dinheiro:

1- 3D em tudo

apesar de um suposto propósito nobre, a maior imersão do universo cinematográfico, o 3D virou a galinha dos ovos de ouro por trazer as pessoas de volta às salas de cinema. é fácil entender o motivo: não tem no camelô, não dá pra baixar pelo computador e tvs com essa tecnologia simplesmente (ainda) não emplacaram. daí dizer que a linguagem cinematográfica evoluiu com o 3D é outra história. na maioria das vezes, principalmente em filmes ‘convertidos’, tem-se a impressão de que a ~terceira dimensão~ não fez a menor diferença à narrativa. ou ainda pior: sai-se da sala com dor-de-cabeça e tontura porque o diretor foi incapaz de substituir o foco pela profundidade de campo. a isso tudo, soma-se o preço mais salgado do ingresso cobrado pelos donos de cinemas 3D (alguém explica?) e temos executivos felizes com os lucros de bilheterias.

2- sequências, refilmagens, reboots, prelúdios

para que um filme chegue em seu quarto volume, é preciso ter muita história pra contar. a era do gelo 4 obviamente não tem tanta sustância. contudo, em tempos de incertezas, panes e crises econômicas mundiais, é melhor apostar em time que está ganhando. desta forma, as salas são invadidas por temas semelhantes e títulos já visitados à exaustão. vale até resgatar filmes enterrados há mais de uma década, como ‘pânico’ e ‘mib – homens de preto’.

outra forma de requentar títulos é a popular refilmagem, também chamada remake. ‘king kong’ e ‘a fantástica fábrica de chocolate’, por exemplo, ganharam novas versões nos últimos anos. diferente das refilmagens, a indústria também recria suas obras com reboots, que consistem na apresentação de uma nova origem para determinado personagem. um dos reboots de maior sucesso na história recente foi ‘batman begins’ do christopher nolan – e outro herói já ‘rebootado’ foi o homem-aranha, cujo novo começo deve estrear nas próximas semanas. pra completar, há ainda o prelúdio, ou prequel, que conta uma trama acontecida antes do início de algum filme de sucesso, como ‘x-men: primeira classe’.

3- dominar as salas de exibição

com o público americano cada vez mais exigente, resta à indústria investir pesado em outros países numa dominação predatória das salas de exibição. com leis mais frouxas e sem medidas regulatórias restritivas, o brasil é um território fértil para que grandes majors sufoquem os cinemas com lançamentos massivos, como denuncia a jornalista camila vieira. proporcionalmente, o país tem poucas salas, cerca de 2.200, que vem sendo inundadas por grandes estreias, tirando a vez de produções mais modestas e nacionais. a conta é simples: ‘eclipse’, por exemplo, estreou em 867 salas; ‘harry potter e as relíquias da morte – parte 2’ ocupou 915; mais recentemente, ‘os vingadores’ ganhou 1.010; ‘amanhecer – parte 1’ veio mais forte: 1.100 salas; entretanto, até agora, ‘rio’ é o vencedor: levou 1.024 cinemas ao estrear. a era do gelo 4 não fica de fora dessa tendência: foi lançado em 1.010 salas, praticamente a metade dos cinemas nacionais. o abuso dessa prática tira do consumidor o direito de escolha e inviabiliza a diversidade de títulos – mas dá à indústria um retorno financeiro mais garantido e o controle da bilheteria mundial.

é claro que existem ainda outras formas de atrair/dominar o público, como a terrível e opressora dublagem da maioria das cópias, o aumento do preço dos ingressos e o marketing agressivo em produtos licenciados. a era do gelo 4 abusa de todas essas técnicas, mas esquece o principal: fazer um bom filme. a história é fraca, os desastres naturais são mal explicados, até desnecessários à trama, as piadas são repetitivas e nem o esquilinho scrat traz qualquer novidade à franquia – até porque quase todas as cenas dele já apareceram nos trailers. é preciso saber a hora de parar.

  1. Luiza

    Eu não entrando nessas estatísticas já fico feliz e de consciência tranquila.
    Eu é que não vou dar dinheiro, sustentar o oportunismo doentio desses grandes empresários da industria cultural.
    Confesso que não sou muito ligada no que diz respeito a filmes, assisto muito pouco, mas acho um absurdo como tudo é pensado nesse meio! E é por isso que não pago caro (e nem o pato) pra essa galera.
    E os filmes brasileiros não ficam pra trás, não. Houve o tempo em que eu defendia as produções cinematográficas brasileira por puro patriotismo, mas hoje não é possível levantar a bandeira por algo que, descaradamente, copia o que eu tanto critico!! Rara as exceções, muitos filmes que passaram a ser lançados e produzidos cá nesse solo tupiniquim, visam apenas o lucro .. e se tivessem pelo menos um enredo legal, novo, criativo (por favor!!!), de cunho crítico, social … mas nem isso!

    Foco nas comédias “brasileiras” .. tá pra nascer desgosto maior!
    O brasileiro sabe fazer graça por si só! E nós sabemos disso .. Prova danada do quanto somos dominados pelo que vem de fora, pois insistimos numa única preferência: a que não corresponde à nossa realidade.

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