nem tão valente

valente (eua, 2012) ★★★☆☆

com a proteção de george lucas e, posteriormente, sob os cuidados de steve jobs, a pixar já nasceu com pedigree invejável. responsável por novos clássicos não apenas da animação, mas da história do cinema, ela elevou uma categoria antes fadada ao entretenimento infantil ao patamar de obras sérias e profundas. quando se trata de pixar, é até natural esperar um filme não menos que ótimo – esse, aliás, sempre foi o grande trunfo do estúdio em relação aos concorrentes: mesmo sucessos comerciais como ‘shrek’ e ‘a era do gelo’ não conseguem competir com a excelência de ‘wall-e’ ou ‘up!’.

tanta expectativa acaba, de certa forma, frustrada com a estreia de valente, a nova animação da pixar em parceria com a disney. a película conta a história de merida, uma jovem forte e determinada que não aceita facilmente as lições de etiqueta e costumes ensinados e reverenciados por sua mãe, a rainha. para merida, uma princesa deve ser livre para escolher seu próprio destino. um discurso feminista e moderno pra época, a idade média, mas também para filmes adolescentes, inclusive produções disney. recusando-se a escolher um dos pretendentes arranjados pelos pais, merida tenta persuadir a mãe a mudar de opinião com uma poção feita por uma misteriosa feiticeira. e é aí que a trama começa de verdade.

repleto de imagens espetaculares (destaque para os cabelos ruivos de merida ao vento e os detalhes de pingos de água na cachoeira – cena feita por uma brasileira), valente é eficiente ao retratar personagens e criar ambientes – mesmo que isso não justifique a animação de computador, já que tudo funcionaria perfeitamente com atores reais, de carne e osso. a trilha sonora também ajuda a contextualizar o clima épico e provocar tensão nos momentos mais difíceis. o ponto fraco do filme é mesmo o desenvolvimento da narrativa, que acontece de forma previsível e pouco dinâmica. ao invés de se aprofundar nas relações conturbadas e antagônicas entre seus personagens, merida e sua mãe, a rainha e o rei, os três pretendentes, valente foca nas piadas físicas e visuais que levam, ao final de tudo, àquela velha e batida “moral da história”.

em tempos de crise econômica global, parece que a pixar vem tentando garantir público e produtos licenciados evitando temas polêmicos e lançando sequências de títulos antigos. uma pena que tenham optado pela saída mais fácil. todo mundo sabe que os maiores gênios surgem nos piores tempos.

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