sem rumo

aqui é o meu lugar (eua, 2011) ★★★☆☆

cheyenne é um antigo rockstar que anda sempre a carregar três coisas: sequelas físicas decorrentes do abuso de drogas, culpa pelo suicídio de dois jovens influenciados por sua música e uma mala de rodinhas que simboliza, rasteiramente, tudo isso e mais os outros problemas que ele vem a encontrar pelo caminho. não é pouca coisa: além de dramas de terceiros, cheyenne precisa enfrentar o passado e rever seu pai que, agora no leito de morte, não encontra há várias décadas. assim, o dinossauro do rock parte numa jornada para resolver seus problemas e, posteriormente, concluir a vingança que seu pai deixou pendente.

com direção leve, aqui é o meu lugar mira em vários alvos, mas não se aprofunda direito em nenhuma das tramas. a estrutura do longa soa teatral, desse modo acompanhamos personagens brotarem e sumirem do filme como se víssemos várias esquetes costuradas numa grande colcha de retalhos. essa forma, ou a falta dela, não é de todo ruim, já que suaviza as arestas para que a película não se torne pesada e enfadonha. por outro lado, o excesso de crônicas não resolvidas, além de frustrar os espectadores, revela também um certo descuido por parte dos roteiristas.

e, claro, a grande atração e ponto forte da produção é mesmo seu protagonista. interpretado de forma eficiente por sean penn, cheyenne parece encarnar o ozzy osbourne revelado pelo reality show da mtv: lento, bobo, imaturo e lacônico. na aparência, lembra robert smith. de peruca, maquiagem e roupa preta, o roqueiro não passa despercebido onde vai, mesmo que figurantes tentem a todo custo roubar a atenção do público – incluir muitos detalhes bizarros, entretanto, confunde mais do que ajuda: seria o traseunte vestido de batman um indício de que tudo não passa de um delírio infantil de cheyenne?

merece destaque também a participação de frances macdormand como a esposa do artista. mesmo com pouco tempo em cena, ela consegue transformar sua jane numa personagem forte e de presença – não por acaso, uma sharon osbourne hollywoodiana. ainda que os criadores tenham-na dado uma profissão “excêntrica”, de bombeira, isso não diz nada além do óbvio sobre a personagem, e é na sua relação com cheyenne que jane mais se revela.

ainda com a presença ilustre de david byrne, revelado num plano belíssimo, aqui é o meu lugar não se decide entre drama sério sobre um personagem atormentado, comédia romântica com tipos bizarros ou road movie de vingança do holocausto. dessa forma, fica difícil se convencer da redenção de seu protagonista, que muda drasticamente – e apenas – na cena final. até um miojo demora mais pra se transformar.

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