mão dupla

na estrada (brasil/frança, 2012) ★★★★☆

brasileiro gosta de sofrer. depois da ousadia de fernando meirelles em adaptar o “quase-deus” saramago pro cinema, é a vez de walter salles mexer em vespeiro e trazer a “quase-bíblia” on the road para as telonas. clássico de jack kerouac, o livro era tido (para alguns, continua) como intransferível, inadaptável e imexível devido à extensão da obra, ao intenso ritmo e à verborragia da literatura beat. na trama, o estilo de vida do ambíguo boêmio dean moriarty seduz o escritor sal paradise, que parte numa viagem pelo território americano em que o destino é o que menos importa. on the road influenciou toda uma geração, e o filme tem muitos méritos não apenas como ótima adaptação (sim, é ótima), mas também como narrativa fechada. abaixo, o top cinco.

_5_ garret hedlund

o insosso sam de ‘tron, o legado’ come poeira diante da interpretação incrível de hedlund para moriarty. mais que isso: ele consegue deixar um personagem que beira o insuportável (é irresponsável, insensível, egoísta e pouco confiável) numa figura fascinante, mas sem afetações.

_4_ a trilha sonora

muito mais que emoldurar cenas, a trilha de na estrada é parte intrínseca de sua narrativa e costura-se à ação na mesma cadência da literatura de kerouac: solta, frenética, livre. formada principalmente por faixas de bebop, um tipo de jazz improvisado nascido na década de 40.

_3_ as esposas de dean

famosas (às vezes injustamente) por atuar no piloto automático, kristen stewart e kirsten dunst mostram talento e constroem personagens bem diferentes de seus últimos papeis. stewart faz uma marylou sensual mas infantil, enquanto dunst transforma sua camille numa mulher dura e resignada, mas também sofrida e apaixonada.

_2_ a voz de sal paradise

sam riley já tem voz rouca que cairia muito bem com seu personagem. contudo, ele vai mais longe e compõe um trabalho vocal bastante peculiar, com cadência e sotaque próprios, o que enriquece a personalidade de sal paradise e transformam o escritor numa figura verossímil e interessante.

_1_ old bull lee

pequena, mas emblemática, participação de viggo mortensen na pele do incrível e dopado escritor. responsável pelas melhores passagens do longa, como quando explica como as traduções empobrecem uma obra literária, parece sempre fora de órbita – e, talvez por isso mesmo, mais são que todos. destaque também para sua mulher jane, papel de uma quase irreconhecível amy adams.

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