na banguela

à beira do caminho (brasil, 2012) ★★★☆☆

catapultado ao estrelato logo em sua estreia no cinema, com ‘2 filhos de francisco’, breno silveira manteve a cabeça no lugar e lançou o segundo filme, ‘era uma vez…’, de forma mais discreta, sem muita festa ou pompa. agora o diretor volta aos holofotes para promover seu terceiro longa, assim como o primeiro, embalado por músicas de um grande artista popular.

em à beira do caminho, joão é um caminhoneiro que usa a estrada como escape para se livrar de um passado dolorido. grosseiro e monossilábico, é incapaz até mesmo de dividir a mesa com algum desconhecido. numa de suas viagens, ele encontra duda, um desses garotos prodígios, escondido em seu caminhão. impassível ao drama do menino, que busca o pai depois que a mãe morreu, joão tenta se livrar do moleque com as autoridades competentes. sem sucesso, decide ajudar duda a encontrar a família em são paulo.

segundo os realizadores, as canções de roberto carlos foram a inspiração pro roteiro, que é de patrícia andrade, antiga colaboradora do diretor. mas, como se vê pela história, pouco tem a ver com a obra do rei, cujas músicas surgem mais como um perfume, ou um tempero, sublinhando a trama, do que como matéria-prima. à beira do caminho é uma versão mais pop – e mais pobre – de ‘central do brasil’: um road movie pelo interior do brasil em que a busca de uma criança pelo pai amolece o coração duro de um personagem mais velho que toma pra si a responsabilidade sobre o infante.

a fotografia convencional não acrescenta muito à saturada paisagem do sertão nordestino, enquanto a música incidental tenta arrancar lágrimas a todo custo. esse é, na verdade, o principal senão do filme: não bastasse o mote que junta um personagem abalado por uma tragédia e uma criança abandonada pelo pai, a moldura dada às cenas mais tensas, com closes nos choros, violinos ao fundo e diálogos sempre inconformados, confere uma carga de melodrama a momentos que podiam ser apenas belos – e menos, a gente sabe, é mais.

a grande surpresa da película é a interpretação do pequeno vinicius nascimento no papel de duda. na medida certa, ele equilibra a maturidade precoce do personagem sem deixar de lado a ingenuidade inerente de sua idade. quando finalmente dobra o gênio de joão, duda já conquistou os espectadores. outra boa sacada é a divisão de capítulos através dos recados de parachoques, um clássico do brasil popular.

à beira do caminho desperdiça a chance de ser um filme memorável por escolher sempre o caminho mais fácil para chegar aos seus objetivos. é tecnicamente bem feito, com alguns bons momentos e muito papo-furado entre eles. não chega a ser ruim, tampouco deixa qualquer marca na história do cinema brasileiro. é a porção repetida de um prato que você não pediu.

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