é bom para o moral (deles)

abraham lincoln: caçador de vampiros (eua, 2012) ★★☆☆☆

ao testemunhar o assassinato da mãe por um ser estranho, o jovem lincoln jura vingança e parte em busca de fazer justiça com as próprias mãos. auxiliado por uma espécie de mestre, o misterioso henry, ele aprende a lutar e derrotar essas criaturas imortais. logo lincoln se destaca na caçada por vampiros e precisa proteger seus entes queridos das maldades dos vilões do além.

como filme, abraham lincoln é frustrante. com roteiro confuso, direção atrapalhada e atuações sofridas, é um frankenstein tosco embalado pelo nome do produtor tim burton. como diversão é pior ainda, visto que, apesar do mote absurdo, não tem nenhuma piada em suas duas horas de projeção e seus efeitos especiais são capengas e falhos – os vampiros, por exemplo, parecem uma versão piorada do personagem baraka do game mortal kombat.

abraham lincoln: caçador de vampiros não passa de um afago na dolorida autoestima americana. num momento de incerteza, pânico, número recorde de desemprego, eleições batendo à porta, nada como resgatar a imagem do presidente que enfrentou a maior crise do país, a guerra civil, e assinou o fim da escravidão – quase um super-herói da vida real. a nostalgia, aliás, não para por aí: em novembro chega às telas de lá “lincoln”, a versão de spielberg para a vida do mito, com daniel day-lewis de protagonista (aqui deve estrear no final de janeiro). tudo indica uma onda de resgate de um glorioso passado.

não é à toa que, quando finalmente é mostrado como a figura histórica que conhecemos, não mais um jovem idealista, a cena que nos apresenta ao presidente lincoln é de encher os olhos. com um movimento de câmera que abaixa enquanto caminha o personagem, que no início vemos apenas a silhueta, é como se fizéssemos uma reverência involuntária àquela imagem que se revela. tudo ao som de uma grandiosa trilha orquestrada.

sendo assim, até dá pra perdoar que esse presidente aproveite uma vingança pessoal para se tornar guerreiro – é dessa garra que os estados unidos precisam. que ele abuse do poder e distribua cargos aos seus melhores amigos – todo homem tem os seus de confiança. que ele lute com um machado para fazer o sangue esguichar no 3D – são vampiros, afinal, não são pessoas. que ele invada a casa e destrua milhões de vida sem um julgamento prévio – são terroristas, afinal, não são… opa, peraí.

  1. ronaldo

    outra coisa que achei um grande erro nesse filme: prata nunca matou vampiros, balas de prata na verdade matam lobisomens, vampiros morrem com uma estaca de madeira enfiada no coração.

    • jacquesdelrio

      mas eles até tentam dar uma desculpa de que a prata limpa o impuro, algo assim, né? enfim, cada autor inventa o vampiro que deseja hahaha. nos livros da trilogia da escuridão, escritos pelo diretor guillermo del toro e chuck hogan, o que mata os vampiros ~acho~ é a prata também.
      obrigado pela visita!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s