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blingring

the bling ring – a gangue de hollywood (eua, 2013) ★★★★☆

na grécia antiga, o monte olimpo era tipo a “a fazenda”: tinha barraco, traição, sacanagem, choro e rehab. a diferença é que os protagonistas dos bafões eram ~ chupa, britto jr ~ deuses, e as histórias, mitos. não é à toa que o sociólogo francês edgar morin chama, hoje, as estrelas do espetáculo de novos olimpianos. celebridades comportam-se como os deuses gregos, tem a vida livre das preocupações medíocres e mundanas, porém são errantes o suficiente para que nos identifiquemos com elas. idolatramos os famosos não apenas porque nos são completamente diferentes, mas também por serem extremamente semelhantes. são, enfim, divindades triscáveis.

pensando nisso, fica fácil imaginar o quão sedutora é a possibilidade de ser como uma celebridade. usar a mesma roupa, frequentar os mesmos lugares, ter a mesma influência, beber, dançar, esbanjar. baseado em eventos reais, the bling ring – a gangue de hollywood mostra que o deslumbre é a tônica do nosso tempo e independe de classe social. (ah, e, claro, tem uma trilha sonora incrível, como é de se esperar em qualquer obra da sofia coppola)

de forma objetiva e sucinta, quase lacônica, o filme conta a história de um grupo abastado de adolescentes que decide furtar casas abandonadas de celebridades. mesmo que pareça incrível por si só, o feito só é validado, em nossos tempos, quando é publicado e partilhado. com isso, a gangue vai se entregando, espalhando um rastro de pistas e testemunhas nas redes sociais. a diretora é confiante em retratar um ambiente do qual sempre fez parte. o recorte aqui, contudo, vai além de seus títulos anteriores, já que as consequências da molecagem são marteladas na tela (ainda que a redenção não pareça chegar a todos).

no fim, the bling ring – a gangue de hollywood apresenta-se exatamente como a sociedade de que fala: rápido, superficial, estético e sedutor. nenhum drama é esmiuçado, nenhum conflito, explicado – por isso mesmo ele é ótimo. não há tempo a perder, ninguém fala mais de 140 toques. a transformação não passa pela consciência, mas pelas colunas sociais. afinal, pra quê redenção com tantos filtros no instagram?

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