escravos de jobs

jobs

jOBS (eua, 2013) ★★★☆☆

encarnação do diabo capitalista na terra, steve jobs teve vida e morte polêmicas, cercadas de adoradores e desafetos. seu trabalho à frente da apple adquiriu tamanha relevância que é praticamente impossível fugir do extremismo ao classificá-lo – jobs é tão querido quanto odiado. fiel a todos os pontos de vista, jOBS tem essa disparidade como seu grande trunfo e principal fraqueza.

o lado é bom é que o protagonista é apresentado, também, em suas nuances mais sombrias. na trama, jobs não se encontra livre de pecados, erro comum em cinebiografias, mas, ao contrário, é exposto em seus piores defeitos. fica clara a sua natureza equivocada e seu caráter duvidoso: ele trata mal os funcionários, expulsa a mulher grávida de casa, passa a perna nos amigos. é um babaca escroto. ainda assim, o filme não deixa de prestar reverência ao personagem em retratá-lo, desde o começo de sua carreira, quando provavelmente não era dessa forma, com um ar de visionário e um séquito de fãs. alternando entre o jobs bonzinho e o detestável, às vezes de forma completamente desconexa e inesperada, o diretor joshua michael stern joga o mérito do julgamento ao público. covardia ou ousadia?

a produção é caprichada e eficiente ao reconstruir as diferentes épocas e ambientes. a fidelidade inclui também cabelo e maquiagem dos atores, que ficaram incrivelmente parecidos com os personagens reais. a fotografia é outro ponto-chave, capaz de deixar belas e poéticas as partes mais dispensáveis da história, como as viagens de ácido de jobs na faculdade. nada memóravel, entretanto.

outra boa surpresa de jOBS é seu coadjuvante josh gad. na pele do cofundador da apple, steve wozniak, ele rouba as cenas do personagem-título e se mostra bastante versátil ao retratar o amadurecimento de seu papel. podemos sentir a lacuna aberta na tela com sua ausência na última parte do filme, quando wozniak sai de cena (e nos faz pensar se a história não seria mais interessante se focasse nesse outro steve). ashton kutcher, por sua vez, parece empenhado em imitar jobs, dando ênfase na dicção e no caminhar peculiares do retratado, mas não chega a convencer e cai no estereótipo.

quando jOBS acaba, a impressão é a de que vimos apenas um amontoado de discursos motivacionais para empresas. com frases de efeito vomitadas a cada cena, a película perde a chance de ser inspiradora para se transformar numa sessão da tarde chata, convencional e corporativa que, ao contrário de steve jobs, já pode ser esquecida imediatamente. que dó.

  1. Felipe

    Jackson, há temos que eu venho te contatando via Twitter, mas você não me responde, então vou perguntar por aqui mesmo. Você deu o super raro Submarino Amarelo nas Trocas Mágicas de 2011? Se você não lembrar, basta falar por aqui que não lembra, mas, por favor, responda. Esta informação é muito importante para o futuro do raro no hotel. #Volta4Queijos Abração, cara! Ah, e meus parabéns pelo post de hoje. :;-)

  2. Leo

    Eu esperava bem mais desse filme, além de ter um toque bem “Hollywodiano” com frases exageradas e tal… deixaram a desejar muitas passagens da vida de Steve mais importantes do que as reuniões de conselho na sala da Apple.

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