sem nobreza

diana

diana (reino unido, 2013) ★★☆☆☆

nenhum e! true hollywood story daria conta de mostrar a complexa, mas delicada, vida da princesa diana. a mulher que rompeu com as rígidas tradições reais, aquela que virou símbolo de um novo feminismo, lutou por causas sociais esquecidas, a celebridade mais perseguida e fotografada de todos os tempos. lady di despertava um fascínio quase hipnótico no mundo inteiro, por isso é com certo constrangimento que acompanhamos a face menos interessante da princesa em diana.

no longa de oliver hirschbiegel, os dois últimos anos da princesa do povo são apresentados sob um prisma mais humano e açucarado. a relação (nunca oficial) entre diana e o médico paquistanês hasnat khan domina praticamente todos os minutos de exibição, mas não engata nem convence. o romance brota de uma cena para outra e, por mais que o filme insista em martelar o amor, só vemos rusgas entre o casal. a impressão é a de que a mulher mais poderosa do mundo não passa de alguém completamente carente e desesperada por se apaixonar – por esse motivo, a cena em que ela limpa toda a casa do amado parece machista e simplória para princesa que conhecemos, mas coerente com a personagem mostrada.

a caracterização da protagonista impressiona pela fidelidade. roupas, jóias e penteados usados por lady di estão impecáveis, assim como ambientes de luxo e elementos de época recriados pelo design de produção. é nítido também o esforço de naomi watts em oferecer uma interpretação memorável, mas a atriz é derrubada pela superficialidade da personagem. causa arrepio perceber como watts encarnou bem o olhar baixo de diana, sua marca registrada, misto de timidez, humildade e desconfiança.

nem de longe, diana faz jus ao mito da mulher real. com muitos movimentos de câmeras que simulam o andar de paparazzi em torno da princesa, o longa propõe uma reflexão sobre os limites da imprensa – mas mesmo assim perde a mão e se mostra contraditório: diana ora aparece como vítima, ora como manipuladora. a história de vida incrível da princesa virou contexto para narrar um romance insosso.

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