mulher no volante

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mad max: estrada da fúria (austrália, 2015) ★★★★★

num futuro seco e miserável, immortan joe é uma espécie de semi-deus para o seu povo. ao encanar e esconder a nascente de um rio, ele cria um séquito de seguidores dispostos a morrer em sua defesa. tamanha autoridade, contudo, é desafiada pela sua então aliada furiosa, que lidera uma operação para libertar as escravas sexuais que o tirano mantém como parideiras. em sequências intermináveis de ação, que nem de longe tornam-se enfadonhas, a guerreira enfrenta uma espécie de comboio da morte cuja missão é a sua captura.

e é isso, e é ótimo! max, o suposto protagonista do filme, torna-se uma parte completamente descartável à trama, com participações pontuais nas decisões da história – todas guiadas por mulheres. óbvio, sempre bom deixar claro: não se trata aqui de preconceito. elas não dominam a ação porque se acham superiores, mas porque são capazes. max não perde virilidade ou autoconfiança por não ser o centro das atenções e, em momento algum, o feminino se vitimiza.

ao colocar o personagem-título no banco do passageiro, mad max desconstrói um mito e edifica um novo clássico. mais que isso, vai na contramão da grande indústria. com apenas 24% de trabalhadoras, hollywood repete o padrão torto em suas produções: em 2014, apenas 12% dos protagonistas dos maiores blockbusters eram mulheres. e se não conseguem se estabelecer como principais, também não podem envelhecer como secundárias. uma pesquisa recente comprova que, enquanto os grandes astros envelhecem, suas parceiras na tela se mantém mais jovens. veja como a capital do cinema encara seus casais.

denzel

 

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ford

 

mad max é, portanto, duplamente ousado: por trazer uma mulher como protagonista e pelo fato de que sua atriz, charlize theron, aos 39 anos, é mais velha que o padrão cinematográfico das mocinhas. nada disso é por acaso. grande parte do mérito pela forma com que as mulheres aparecem no filme vem de eve ensler, autora do famoso “monólogos da vagina”. a convite do diretor george miller, a ativista foi pessoalmente à austrália para contribuir com o tratamento dado aos assuntos femininos no roteiro. valeu a pena.

por mais bobo que pareça a princípio, trazer as mulheres para o centro de uma história que cheira a pólvora e gasolina é profundamente significativo. trazer causas feministas a uma superprodução de ação sem sequer citar esse termo é também um serviço social. ainda é cedo, é seco, é longe. temos uma estrada da fúria à frente, mas nunca fomos tão longe por igualdade de direitos e oportunidades no cinema.

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