simplificando

benhur

ben-hur (eua, 2016) ★☆☆☆☆

trocando em miúdos, imagine que você seja um cara humilde que, num desses lances surreais do destino, cultivou uma grande amizade com um mauricinho gente boa. adotado no casarão abastado, você é constantemente hostilizado pela matriarca, que chega a proibir seu envolvimento com a filha dela por acreditar que você não tem futuro. tenso, né? decidido a ter uma vida melhor, você ruma à capital em busca de novas oportunidades. enquanto isso, na cidade pequena, seu melhor amigo continua aquele tipo alienado. embora dedicado à família, é insensível a qualquer desprivilegiado à sua volta.

mas enfim. o tempo passa e você retorna à sua cidade, agora já capitão da polícia. cheio de moral, de prestígio e de status, o tratamento na casa do seu parceiro rico muda radicalmente. de repente, você é recebido com alegria e pompa, que saudades, adorei o cabelo, senta aqui, vamos jantar. porém nem tudo é festa e você não está ali a passeio. sua missão é capturar pessoas pobres para que trabalhem na construção de obras do governo. é uma situação controversa, mas seu amigo não o questiona – afinal, lembra?, ele é alienado, topzera, churras, futeba. e tudo parece tranquilo até que um atentado põe a vida do seu chefe, um coronel do exército, em risco. e pior: tudo acontece a poucos metros de você. pior ainda: a bala que quase acertou o coronel partiu… da casa do seu amigo. e pra terminar de piorar: questionado, seu bro assume a autoria do tiro. agora lascou.

aí você faz o que deve ser feito, o que manda a lei do seu país: prende a família rica. por conta disso, seu amigo playboy precisa enfrentar uma realidade da qual sequer ouvira falar – mas que você, calejado, já viu de perto, flertou, deu a volta, conseguiu escapar. o riquinho é tratado, afinal, como todos aqueles que ele sempre ignorou. diante de tanto sofrimento, qual se torna a principal aspiração dele? melhores condições de trabalho? distribuição de renda? reforma política? nada disso, seu amigo quer sangue. ele quer vingança. de você! e pra isso se empenha, treina, faz amigos, convence e consegue dar o troco. humilhado publicamente, rejeitado, ferido, deficiente, a opção que lhe resta é… pedir perdão pela ingratidão e tentar as pazes com seu antigo bróder. agora ficou claro qual é o seu lugar, né?

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