vai descer, motorista

zumbi

invasão zumbi (coréia do sul, 2016) ★★★★☆

saturado por obras semelhantes, o mercado de filmes de zumbi depende cada vez mais da visão de fora para se renovar. títulos como o espanhol rec e o norueguês zumbis na neve injetaram, nos últimos anos, um sopro de vitalidade no gênero que frequentemente se mostra, bem, morto-vivo. agora é a vez da coréia do sul: invasão zumbi conta a história de um grupo de pessoas que, enquanto viaja para busan, descobre que o país enfrenta uma epidemia mortal e precisa lidar com infectados violentos dentro do mesmo trem. em cada estação, novas informações deixam a situação ainda mais tensa, já que ninguém está a salvo de se tornar um dos monstros.

como percebemos pela história, o longa não acrescenta nada revolucionário à indústria. o grande mérito do diretor yeon sang-ho foi enxergar o óbvio: a essa altura, ninguém mais tem medo de zumbi. com o foco na ação, e não no susto, o filme embala duas horas de tirar o fôlego, com sequências alternadas de adrenalina e respiro. e não cansa!

o temperinho sul-coreano é também um diferencial. os mortos-vivos de sang-ho se transformam em questão de segundos, contorcem-se de forma sobre-humana e não enxergam no escuro – o que deixa seus olhos assustadoramente brancos. além disso, são capazes de processos cognitivos de fazer inveja aos zumbis de romero. porém o mais importante é que eles são muito rápidos, e é esse ritmo frenético que dita o espírito do longa.

com tanto corre-corre, o que estraga a festa são as cenas forçadíssimas de emoção. na tentativa de dar mais densidade à história, o roteiro acrescenta duas xícaras de maisena. de apelo puxado e diálogos sofríveis, dignos de uma novela da record, o melodrama não convenceria nem mesmo um zumbi. pior: após abusar da fórmula do choro fácil, o desfecho perde força e a cena final deixa de ter o impacto que merecia.

ainda assim, invasão zumbi traz belas analogias e reflexões. logo na abertura, um boneco de trânsito faz os mesmos movimentos de um ser humano. mais tarde, ao destacar algumas relações, fica clara a mensagem de que a morte em vida acontece quando abandonamos nossos laços sociais. tornar-se um zumbi, nesse caso, é possível fora das telonas também. no filme, os personagens se deram conta dessa lacuna afetiva tarde demais. e você, está atento?

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